Os missionários mais lembrados da história cristã deixaram seus países para viver décadas em culturas desconhecidas, traduzindo a Bíblia, fundando escolas e igrejas e, muitas vezes, enfrentando prisão e doença. Abaixo estão nove perfis, em ordem cronológica, de um jesuíta do século 16 aos suecos que fundaram a Assembleia de Deus no Brasil em 1911.
O movimento missionário como um todo, com suas ondas e debates, está explicado em missões cristãs na história. Aqui o foco são as pessoas.
Francisco Xavier (1506-1552)
Tradição: católica (jesuíta). Onde: Índia, Sudeste Asiático, Japão.
Nascido em Navarra, na Espanha, Francisco Xavier estudou em Paris, onde se uniu a Inácio de Loyola no grupo que fundaria a Companhia de Jesus. Chegou a Goa, na Índia, em 1542, e atuou também na costa da Índia, nas Molucas e na Malásia.
Em 1549 desembarcou em Kagoshima, no Japão, onde passou cerca de dois anos. Morreu em 1552 na ilha de Shangchuan, diante da costa da China, esperando para entrar no país. Foi canonizado em 1622 e é padroeiro das missões católicas.
William Carey (1761-1834)
Tradição: batista. Onde: Índia (Bengala).
Sapateiro e pastor na Inglaterra, Carey publicou em 1792 um panfleto defendendo a obrigação de levar o Evangelho a outros povos e ajudou a fundar a Sociedade Missionária Batista. Chegou à Índia em 1793.
Com colegas em Serampore, coordenou traduções completas ou parciais da Bíblia para dezenas de línguas e dialetos e fundou o Serampore College (1818). Também se envolveu na campanha contra o sati, a queima de viúvas, proibido em Bengala em 1829.
Adoniram Judson (1788-1850)
Tradição: batista. Onde: Birmânia (atual Mianmar).
O americano Adoniram Judson chegou a Rangum em 1813 com a esposa, Ann Hasseltine Judson. Concluiu a tradução da Bíblia para o birmanês em 1834 e compilou um dicionário birmanês-inglês usado por gerações.
Durante a guerra entre britânicos e birmaneses (1824-1826), foi preso como suspeito de espionagem e passou cerca de 19 meses em prisões, em condições duríssimas. Ann o manteve vivo levando comida e intercedendo junto às autoridades; morreu pouco depois da libertação dele.
James Hudson Taylor (1832-1905)
Tradição: protestante não denominacional (de origem metodista). Onde: China.
O britânico Hudson Taylor fundou em 1865 a Missão para o Interior da China (China Inland Mission), que levou missionários às províncias do interior, longe dos portos. Ficou conhecido por adotar a roupa e o penteado chineses, prática incomum entre missionários ocidentais da época.
A organização continua ativa com o nome OMF International. Quando Taylor morreu, em 1905, a missão contava com centenas de missionários.
David Livingstone (1813-1873)
Tradição: congregacional (Sociedade Missionária de Londres). Onde: África austral e central.
Médico escocês, Livingstone chegou à África do Sul em 1841. Ficou mais conhecido como explorador: foi o primeiro europeu a descrever as quedas que chamou de Vitória, em 1855, e atravessou o continente de costa a costa.
Defendeu publicamente o fim do tráfico de escravos na África oriental. Historiadores lembram que suas expedições também abriram caminho para a colonização britânica, um legado que hoje é lido de forma crítica.
Mary Slessor (1848-1915)
Tradição: presbiteriana. Onde: Calabar, sudeste da atual Nigéria.
Operária têxtil em Dundee desde a infância, a escocesa Mary Slessor partiu para Calabar em 1876 e ali passou quase quarenta anos. Aprendeu a língua efik e foi viver em aldeias do interior, longe dos postos missionários.
Ficou conhecida por resgatar gêmeos recém-nascidos, que pela crença local eram abandonados, e por atuar como mediadora reconhecida pelas autoridades britânicas. Sua imagem foi estampada numa cédula de 10 libras do Clydesdale Bank, na Escócia.
Robert Reid Kalley (1809-1888) e Sarah Poulton Kalley (1825-1907)
Tradição: congregacional. Onde: Ilha da Madeira e Brasil.
Médico escocês, Robert Kalley atuou na Ilha da Madeira, onde foi perseguido por pregar fora da Igreja Católica, então oficial. Chegou ao Rio de Janeiro em 1855 e fundou em 1858 a Igreja Evangélica Fluminense, considerada a primeira igreja evangélica de língua portuguesa do Brasil.
Sua esposa, Sarah, era musicista e organizou o hinário "Salmos e Hinos" (1861), o primeiro hinário evangélico em português, ainda usado por igrejas congregacionais e presbiterianas.
Daniel Berg (1884-1963) e Gunnar Vingren (1879-1933)
Tradição: pentecostal. Onde: Pará e, depois, todo o Brasil.
Os suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren se conheceram nos Estados Unidos, onde tiveram contato com o movimento pentecostal. Chegaram a Belém em 19 de novembro de 1910 e começaram frequentando uma igreja batista local.
Em junho de 1911, depois de uma divisão nessa igreja, fundaram a Missão de Fé Apostólica, que em 1918 passou a se chamar Assembleia de Deus. Berg vendia Bíblias e trabalhava como fundidor para se sustentar. A denominação é hoje a maior igreja evangélica do Brasil, como mostra como surgiram as denominações.
O que esses perfis têm em comum, e o que a história critica
Quase todos combinaram pregação com tradução, educação ou saúde, e passaram décadas fora do país de origem. Vários perderam cônjuges e filhos para doenças tropicais.
A história também registra limites: missionários do século 19 muitas vezes dependiam da proteção de impérios coloniais e nem sempre separavam o Evangelho dos costumes europeus. Hudson Taylor e Mary Slessor são lembrados justamente por terem tentado fazer diferente. Outros nomes estão em quem é quem no cristianismo, e o trabalho missionário atual em o que são missões cristãs.
Fontes
- Wikipedia. Francis Xavier.
- Christian History Institute. William Carey: A Gallery of Missionary Pioneers.
- Wikipedia. Adoniram Judson..
- Wikipedia. Hudson Taylor.
- Wikipedia. David Livingstone.
- Wikipedia. Mary Slessor.
- Wikipedia. Robert Reid Kalley.
- Wikipedia. Gunnar Vingren.




