Missões cristãs são o trabalho de anunciar o Evangelho e formar comunidades de fé em lugares ou grupos onde a igreja ainda não está presente ou é pequena, geralmente combinado com educação, saúde e ação social. A base bíblica mais citada é a ordem de Jesus em Mateus 28:19-20 e o anúncio de Atos 1:8: "sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra" (ARA).

Hoje há cerca de 450 mil missionários cristãos no mundo, segundo o relatório do Movimento Lausanne sobre o estado da Grande Comissão, de 2024. O Brasil aparece como o segundo maior país enviador, com cerca de 40 mil missionários, atrás apenas dos Estados Unidos.

O que a palavra "missão" quer dizer

"Missão" vem do latim mittere, "enviar". No Novo Testamento, a ideia aparece em João 20:21: "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio". O termo "apóstolo" tem sentido próximo, do grego apostellō, também "enviar".

As tradições cristãs usam a palavra de modos um pouco diferentes:

  • Na Igreja Católica, o decreto Ad Gentes (1965), do Concílio Vaticano II, afirma que a Igreja é "por sua natureza missionária" (n. 2). O Dicastério para a Evangelização coordena territórios de missão, e cada outubro é dedicado às missões, com o Dia Mundial das Missões no penúltimo domingo do mês.
  • Nas igrejas evangélicas, "missões" costuma designar o envio de missionários, com distinção entre missão nacional e transcultural (para outra cultura ou país). Muitas denominações mantêm juntas próprias, como a Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, criada em 1907.
  • No debate ecumênico, desde o século 20 se fala em missio Dei (missão de Deus): a iniciativa é de Deus, e a igreja participa dela.

Os números da missão hoje

O relatório "The State of the Great Commission", publicado pelo Movimento Lausanne em 2024 com base no World Christian Database, traz algumas estimativas para 2020:

PaísMissionários enviados (estimativa 2020)
Estados Unidos135 mil
Brasil40 mil
Coreia do Sul35 mil
Filipinas25 mil (maioria católicos)

O mesmo relatório chama atenção para um desequilíbrio: cerca de 97% dos missionários vão para povos que já têm acesso ao Evangelho, e mais missionários vão para a Europa do que para a Ásia, onde vive 60% da população mundial. Números de missionários são sempre estimativas, porque não existe registro centralizado nem definição única de quem conta como missionário.

Povos "não alcançados" e a Janela 10/40

Em 1974, no Congresso de Lausanne, o missiólogo Ralph Winter defendeu que a missão deveria mirar grupos étnicos e linguísticos, e não apenas países. Daí vem a expressão "povos não alcançados", usada para grupos com pouquíssimos cristãos e sem igreja local capaz de evangelizar o próprio povo.

Em 1990, o estrategista argentino Luis Bush cunhou o termo "Janela 10/40" para a faixa entre as latitudes 10 e 40 graus norte, do norte da África à Ásia, onde se concentra a maior parte desses grupos. Segundo o relatório de Lausanne, quase 3 mil grupos não alcançados, cerca de três quintos do total mundial, estão na Índia e no Paquistão.

O Brasil, de campo missionário a país que envia

Até o início do século 20, o Brasil era visto como campo de missão, recebendo missionários católicos europeus e protestantes norte-americanos. A virada simbólica foi o primeiro Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM 87), em São Paulo, em 1987, com mais de 3 mil representantes da América Latina, da Espanha e de Portugal.

Ali, Luis Bush resumiu a mudança: "Em 1918, a América Latina foi declarada um campo de missão. Hoje, em 1987, a América Latina se declara uma força missionária". Segundo a COMIBAM, a edição de 1988 do guia "Operação Mundo" contava 1.314 missionários de origem latino-americana; a de 1995, mais de 4.482. Três décadas depois, só o Brasil teria cerca de 40 mil, pela estimativa de Lausanne.

Do lado católico, o Brasil também envia padres, religiosas e leigos a outros países, especialmente da África lusófona, por meio de dioceses e congregações religiosas.

Formatos de trabalho missionário

  1. Missão transcultural de longo prazo: anos ou décadas em outro país, com aprendizado de língua e cultura.
  2. Missão nacional: trabalho entre povos indígenas, ribeirinhos ou regiões do interior do próprio país.
  3. Missão urbana: atuação com populações de rua, dependentes químicos ou imigrantes nas cidades.
  4. Curto prazo: viagens de semanas ou meses, geralmente de apoio a projetos já existentes.
  5. Profissionais em missão: médicos, professores ou empresários que vivem em outro país com o próprio trabalho, modelo frequente onde vistos missionários não são concedidos.
  6. Tradução e mídia: tradução da Bíblia, rádio, internet e produção de materiais.

Esses formatos levantam debates reais: o curto prazo é criticado por vezes como "turismo missionário", e a missão entre povos indígenas isolados é objeto de discussão legal e ética no Brasil.

Como alguém se torna missionário

Na maioria das igrejas evangélicas, o caminho inclui envolvimento prolongado na igreja local, formação teológica e transcultural (seminários e centros de treinamento missionário), envio formal por uma agência ou junta e sustento financeiro por igrejas parceiras. No catolicismo, o caminho passa geralmente por congregações religiosas, sociedades missionárias ou programas diocesanos para leigos.

A história das grandes ondas missionárias está em missões cristãs na história, e perfis de pioneiros em missionários que marcaram a história. Como as igrejas se organizam para manter esse trabalho é tema de ministérios da igreja local.

Fontes