O cristianismo nasceu como um movimento judaico na Judeia do século 1, tornou-se religião oficial do Império Romano no fim do século 4, dividiu-se entre Oriente e Ocidente em 1054 e entre católicos e protestantes no século 16. Hoje é a maior religião do mundo. No Brasil, chegou com os portugueses em 1500 e passou de monopólio católico a um país em que, segundo o Censo 2022 do IBGE, 56,7% da população de 10 anos ou mais se declara católica e 26,9% evangélica.

A linha do tempo abaixo reúne os marcos que mais ajudam a entender esse percurso. Cada período tem um guia próprio no site, indicado ao longo do texto.

Os primeiros séculos (30-313)

c. 30-33 — Crucificação de Jesus em Jerusalém, sob o governador romano Pôncio Pilatos. Historiadores romanos como Tácito, no início do século 2, mencionam a execução (Anais 15.44).

c. 49 — Concílio de Jerusalém (Atos 15). Os apóstolos decidem que convertidos não judeus não precisam ser circuncidados, abrindo o caminho para a expansão entre os gentios, liderada sobretudo por Paulo de Tarso.

64 — Perseguição de Nero em Roma, após o grande incêndio da cidade. A tradição situa nesse período a morte de Pedro e de Paulo.

c. 112 — Carta de Plínio, o Jovem, ao imperador Trajano, um dos primeiros relatos romanos sobre como os cristãos se reuniam. O cotidiano desse período está em como viviam os primeiros cristãos.

250 e 303 — Perseguições de Décio e de Diocleciano, as mais sistemáticas, que alternaram com longos períodos de relativa tolerância.

Do império cristão ao Cisma (313-1054)

313 — Edito de Milão. Constantino e Licínio garantem liberdade de culto aos cristãos e a todas as religiões.

325 — Concílio de Niceia, o primeiro concílio ecumênico, convocado por Constantino. Condena o arianismo e formula o núcleo do Credo Niceno. Em 2025, os 1.700 anos de Niceia foram lembrados por católicos, ortodoxos e protestantes.

380 — Edito de Tessalônica. O imperador Teodósio I torna o cristianismo niceno a religião oficial do império.

367 a 397 — Fechamento da lista do Novo Testamento, com a carta de Atanásio (367) e os sínodos de Hipona e Cartago. Detalhes em Novo Testamento.

451 — Concílio de Calcedônia. Define Cristo como uma pessoa em duas naturezas. Parte das igrejas do Oriente (copta, armênia, siríaca, etíope) não aceita a fórmula, origem das chamadas igrejas ortodoxas orientais.

1054 — Grande Cisma. Excomunhões mútuas entre o legado papal e o patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário, simbolizam a separação entre a Igreja Católica e as igrejas ortodoxas. As excomunhões foram levantadas em 1965 por Paulo VI e Atenágoras I.

Idade Média e Reformas (1054-1648)

1095 — Papa Urbano II convoca a Primeira Cruzada em Clermont, na França.

c. 1455 — Bíblia de Gutenberg, primeiro grande livro impresso com tipos móveis na Europa, em Mainz.

31 de outubro de 1517 — As 95 teses de Martinho Lutero contra a venda de indulgências, em Wittenberg. Começa a Reforma Protestante.

1534 — Ato de Supremacia na Inglaterra: Henrique VIII se declara chefe da Igreja da Inglaterra.

1545-1563 — Concílio de Trento, a resposta católica à Reforma, que define doutrinas e reforma a formação do clero.

1648 — Paz de Vestfália encerra a Guerra dos Trinta Anos e consolida o mapa religioso da Europa.

O cristianismo chega ao Brasil (1500-1890)

26 de abril de 1500 — Primeira missa no Brasil, celebrada por frei Henrique de Coimbra no litoral sul da Bahia, registrada na carta de Pero Vaz de Caminha.

1549 — Chegada dos jesuítas, liderados por Manuel da Nóbrega, com o governador-geral Tomé de Sousa, em Salvador.

25 de janeiro de 1554 — Fundação do colégio de São Paulo de Piratininga por jesuítas, entre eles José de Anchieta, origem da cidade de São Paulo.

1557 — Primeiro culto protestante nas Américas, celebrado por calvinistas franceses na colônia da França Antártica, na baía de Guanabara.

1824 — Constituição do Império. O catolicismo é religião oficial; outras religiões podem ter culto apenas doméstico ou em casas "sem forma alguma exterior de templo".

1855 a 1882 — Chegada das missões protestantes: Robert Kalley (congregacionais, 1855), Ashbel Green Simonton (presbiterianos, 1859) e a primeira igreja batista brasileira, em Salvador (1882). A história de cada uma está em como surgiram as denominações.

7 de janeiro de 1890 — Decreto 119-A. O governo provisório da República separa Igreja e Estado e garante liberdade de culto.

Século 20 e 21

1906 — Avivamento da Rua Azusa, em Los Angeles, marco do pentecostalismo moderno.

1910 e 1911 — Pentecostalismo no Brasil: a Congregação Cristã no Brasil (1910) e a Assembleia de Deus, fundada em Belém (PA) em 1911 pelos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren.

1948 — Fundação do Conselho Mundial de Igrejas, em Amsterdã.

1952 — Criação da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no Rio de Janeiro.

1962-1965 — Concílio Vaticano II. Introduz a missa em língua vernácula, aproxima a Igreja Católica do diálogo ecumênico e inter-religioso.

1999 — Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, assinada em Augsburgo por católicos e luteranos, sobre o tema central da disputa de 1517.

2013 — Eleição do papa Francisco, primeiro papa latino-americano. Morreu em 21 de abril de 2025 e foi sucedido por Leão XIV, eleito em 8 de maio de 2025.

2025 — Divulgação dos dados de religião do Censo 2022: católicos caem de 65,1% (2010) para 56,7%; evangélicos sobem de 21,6% para 26,9%; sem religião passam de 7,9% para 9,3%. O retrato atual está no panorama do cristianismo hoje.

Três chaves para ler essa história

As grandes divisões têm causas teológicas e políticas ao mesmo tempo. O Cisma de 1054 envolveu autoridade do papa e o acréscimo do "Filioque" ao Credo, mas também a rivalidade entre Roma e Constantinopla. A Reforma envolveu justificação pela fé e também príncipes alemães interessados em autonomia.

O centro de gravidade mudou de lugar. O cristianismo nasceu no Oriente Médio, foi majoritariamente europeu por mil anos e hoje tem a maior parte dos fiéis na América Latina e na África subsaariana, segundo o Pew Research Center.

O Brasil é um caso à parte. Poucos países passaram tão rápido de um catolicismo quase exclusivo para uma presença evangélica tão grande, sobretudo pentecostal. Entender a linha do tempo ajuda a ler esses números sem simplificações, tema de como interpretar pesquisas sobre cristianismo.

Fontes