As denominações cristãs surgiram de três grandes rupturas e de uma série de movimentos de renovação. A primeira ruptura separou, em 451, as igrejas ortodoxas orientais; a segunda, em 1054, católicos e ortodoxos; a terceira, a partir de 1517, católicos e protestantes. Dentro do protestantismo, avivamentos dos séculos 18 a 20 deram origem a metodistas, adventistas e pentecostais.
No Brasil, essa árvore chegou em camadas: o catolicismo em 1500, as igrejas protestantes de imigração e de missão no século 19 e o pentecostalismo a partir de 1910. Entender quem veio de onde ajuda a explicar por que igrejas com o mesmo nome podem ser tão diferentes.
O tronco e os primeiros galhos
Igrejas ortodoxas orientais (451). Coptas, armênios, siríacos e etíopes não aceitaram a definição do Concílio de Calcedônia sobre as duas naturezas de Cristo. Mantêm tradições muito antigas e hoje dialogam com católicos e ortodoxos.
Católicos e ortodoxos (1054). A separação entre Roma e Constantinopla teve causas teológicas (como o acréscimo da expressão "Filioque" ao Credo no Ocidente) e de autoridade (o alcance do poder do papa). As igrejas ortodoxas, como a grega, a russa e a antioquina, são autocéfalas: cada uma com seu patriarca ou arcebispo, em comunhão entre si.
Protestantes (1517 em diante). A Reforma gerou quatro ramos, explicados em Reforma Protestante: causas e consequências: luteranos, reformados, anabatistas e anglicanos.
Os galhos do protestantismo
| Família | Origem | Marca distintiva |
|---|---|---|
| Luteranos | Alemanha, 1517 | Justificação pela fé; liturgia próxima da tradição |
| Presbiterianos e reformados | Genebra (Calvino), Escócia (John Knox, 1560) | Governo por presbíteros eleitos; ênfase na soberania de Deus |
| Anglicanos e episcopais | Inglaterra, 1534 | Bispos, Livro de Oração Comum |
| Batistas | John Smyth (Amsterdã, 1609) e Thomas Helwys (Inglaterra, 1612) | Batismo só de quem professa a fé; autonomia da igreja local |
| Congregacionais | Inglaterra, século 16-17 | Cada congregação se governa |
| Metodistas | John e Charles Wesley, Inglaterra, a partir de 1738 | Santificação, pregação itinerante, ação social |
| Adventistas do Sétimo Dia | Estados Unidos, organização em 1863 | Guarda do sábado; expectativa da volta de Cristo |
| Pentecostais | Rua Azusa, Los Angeles, 1906 (William J. Seymour) | Batismo no Espírito Santo e dons espirituais |
As diferenças práticas entre essas famílias, como o batismo e a forma de governo, são comparadas em principais denominações cristãs.
Quando cada igreja chegou ao Brasil
1500 — Igreja Católica, com a primeira missa celebrada por frei Henrique de Coimbra em 26 de abril de 1500. O catolicismo foi religião oficial até a República.
1824 — Luteranos. Imigrantes alemães fundam comunidades em Nova Friburgo (RJ) e em São Leopoldo (RS). A Constituição do Império permitia outros cultos apenas em casas sem aparência externa de templo.
1835 e 1867 — Metodistas. Uma primeira missão norte-americana, com Justin Spaulding, chegou ao Rio em 1835, mas não se manteve. O trabalho permanente começou depois da Guerra Civil americana, com imigrantes e missionários a partir de 1867.
1855 — Congregacionais. O médico escocês Robert Kalley e sua esposa, Sarah, chegam ao Rio e fundam em 1858 a Igreja Evangélica Fluminense, lembrada como a primeira igreja evangélica de língua portuguesa do país.
1859 — Presbiterianos. O missionário norte-americano Ashbel Green Simonton chega ao Rio em 12 de agosto de 1859. A Igreja Presbiteriana do Brasil considera essa data a de sua fundação.
1882 — Batistas. A Primeira Igreja Batista do Brasil é organizada em Salvador, em 15 de outubro de 1882, pelos missionários norte-americanos William e Anne Bagby e Zachary e Kate Taylor.
1910 — Congregação Cristã no Brasil, a partir da pregação do ítalo-americano Louis Francescon entre imigrantes italianos no Paraná e em São Paulo.
1911 — Assembleia de Deus, fundada em Belém (PA) pelos suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, vindos dos Estados Unidos. Começou como a Missão de Fé Apostólica e adotou o nome atual em 1918.
As três "ondas" do pentecostalismo brasileiro
O sociólogo Paul Freston propôs, nos anos 1990, uma divisão do pentecostalismo brasileiro em três ondas, ainda muito usada por pesquisadores:
- Primeira onda (1910-1911): Congregação Cristã no Brasil e Assembleia de Deus.
- Segunda onda (anos 1950 e 1960): Igreja do Evangelho Quadrangular (1951), O Brasil para Cristo (1955) e Igreja Pentecostal Deus é Amor (1962), com forte uso do rádio e de campanhas de cura.
- Terceira onda (a partir dos anos 1970), chamada neopentecostal: Igreja Universal do Reino de Deus (1977) e Igreja Internacional da Graça de Deus (1980), entre outras, com uso intenso de televisão e estrutura empresarial.
A classificação é uma ferramenta analítica, não um juízo de valor, e pesquisadores discutem seus limites. As igrejas evangélicas somam hoje 26,9% da população brasileira de 10 anos ou mais, segundo o Censo 2022, e os pentecostais são a maior parte delas.
Por que há tantas igrejas
Os motivos se repetem ao longo da história: divergências de doutrina (batismo, ceia, dons espirituais), de forma de governo (bispos, presbíteros ou congregação), de cultura e língua (igrejas de imigrantes) e de liderança. No Brasil, a facilidade legal para registrar uma organização religiosa também contribui para a multiplicação de igrejas independentes.
Ao mesmo tempo, muitas dessas igrejas cooperam em conselhos e campanhas comuns, tema de como funcionam os eventos ecumênicos. Para ver o conjunto em ordem cronológica, consulte a linha do tempo do cristianismo.
Fontes
- Wikipedia. East–West Schism.
- Wikipedia. Azusa Street Revival.
- Wikipedia. Ashbel Green Simonton.
- Wikipedia. Robert Reid Kalley.
- Wikipedia (EN). Assembleias de Deus.
- Wikipedia (EN). Pentecostalism in Brazil.
- IBGE Educa. Censo 2022: número de católicos no Brasil em queda.




