Como surgiram as principais denominações cristãs

A diversidade de denominações cristãs de hoje tem uma origem histórica identificável, em duas grandes rupturas e um avivamento que deu origem ao pentecostalismo.

EC

Por Equipe Church News

5 min de leitura

Catedral de Canterbury, na Inglaterra
Sede da Comunhão Anglicana, denominação que se separou de Roma no século XVI — Foto: No Swan So Fine / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A grande variedade de denominações cristãs que existe hoje não surgiu de uma vez — ela é resultado de duas rupturas históricas principais, separadas por cerca de 500 anos, seguidas por uma multiplicação contínua dentro de cada ramo, incluindo o avivamento que deu origem ao pentecostalismo, hoje a maior família evangélica do Brasil.

A primeira ruptura: o Grande Cisma de 1054

A primeira grande divisão institucional do cristianismo separou a igreja do Oriente da igreja do Ocidente. O rompimento formal aconteceu em 16 de julho de 1054, quando o papa Leão IX excomungou o patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário, que respondeu excomungando o papa de volta.

Esse episódio foi o ápice de um distanciamento que já se acumulava havia séculos, por diferenças de idioma, cultura, política e teologia — incluindo debates sobre a autoridade do papa sobre os patriarcas orientais e diferenças de disciplina eclesiástica, como o celibato obrigatório do clero (ocidental) frente ao clero casado (oriental). O resultado foi a separação entre o que se tornaria a Igreja Católica Romana, no Ocidente, e as igrejas ortodoxas — grega, russa e outras tradições orientais — no Oriente.

A segunda ruptura: a Reforma Protestante

Cerca de 460 anos depois, a Reforma Protestante do século 16 dividiu, dessa vez, o próprio cristianismo ocidental. O artigo Reforma Protestante: causas, personagens e consequências detalha esse processo, que deu origem a três famílias principais: luteranismo, tradição reformada (calvinista) e anglicanismo — além do anabatismo, ramo mais radical que originaria, mais tarde, tradições como menonitas e batistas.

A multiplicação dentro do protestantismo

A partir dessas famílias iniciais, o protestantismo continuou se dividindo e se multiplicando ao longo dos séculos seguintes, por razões teológicas, geográficas e de estilo de culto.

O metodismo

Surgiu no século 18, a partir do trabalho de John Wesley dentro da própria Igreja Anglicana, com ênfase na santificação pessoal e em grupos pequenos de acompanhamento mútuo (as "class meetings", descritas em o que é discipulado), antes de se tornar uma denominação separada.

O pentecostalismo e o avivamento da Rua Azusa

O pentecostalismo, hoje uma das maiores e mais numerosas famílias do cristianismo mundial — e a maior família evangélica do Brasil —, nasceu de um avivamento específico: o Avivamento da Rua Azusa, iniciado na primavera de 1906, num antigo templo metodista episcopal africano no número 312 da Azusa Street, em Los Angeles.

O líder do movimento foi o pregador William J. Seymour, filho de ex-escravizados, que havia se mudado do Mississippi para a Califórnia no início de 1906 e começou a realizar pequenas reuniões domésticas. Depois de uma primeira manifestação de glossolalia (o falar em línguas) em abril daquele ano, o grupo cresceu rapidamente e se tornou racialmente integrado — um fato notável para os padrões sociais da época nos Estados Unidos, com negros e brancos participando dos mesmos cultos, algo incomum antes da revolução dos direitos civis. Nos anos seguintes, milhares de pessoas viajaram até a Azusa Street em busca de curas, do dom de línguas e de uma experiência de culto mais espontânea do que a praticada nas igrejas tradicionais da época. Em setembro de 1906, Seymour começou a publicar seu próprio jornal, o Apostolic Faith, que chegou a ter cerca de 50 mil assinantes gratuitos ao redor do mundo em seu auge — um dos principais canais que ajudaram a espalhar o movimento pentecostal internacionalmente, inclusive para o Brasil poucos anos depois.

Igrejas batistas e não denominacionais

As igrejas batistas se organizaram em múltiplas convenções regionais e nacionais, sem uma autoridade central única — reflexo do modelo congregacional de governança descrito em como funciona uma igreja. Mais recentemente, o crescimento de igrejas não denominacionais, sem vínculo formal a uma tradição histórica específica, tem sido uma das tendências mais visíveis do cristianismo evangélico contemporâneo.

Por que isso importa para entender o cristianismo hoje

Entender essa árvore genealógica ajuda a situar qualquer igreja específica dentro de uma tradição maior — mesmo denominações que parecem completamente distintas hoje, como uma igreja luterana e uma igreja pentecostal, compartilham uma origem histórica comum na Reforma, ainda que tenham se desenvolvido de formas muito diferentes desde então. O panorama das principais denominações em atividade hoje está em principais denominações cristãs e o que as diferencia.

Perguntas frequentes

Qual foi a primeira grande divisão do cristianismo?

O Grande Cisma de 1054, que separou a igreja do Oriente (que se tornaria as igrejas ortodoxas) da igreja do Ocidente (que se tornaria a Igreja Católica Romana).

Todas as igrejas protestantes vêm diretamente de Lutero?

Não. Lutero deu início ao movimento na Alemanha, mas ramos como o calvinismo (Suíça), o anglicanismo (Inglaterra) e o anabatismo tiveram origens e lideranças próprias, todos dentro do mesmo período histórico da Reforma.

De onde vem o pentecostalismo?

Do Avivamento da Rua Azusa, iniciado em 1906 em Los Angeles sob a liderança do pregador William J. Seymour — um movimento que se espalhou rapidamente pelo mundo, incluindo o Brasil, onde deu origem, poucos anos depois, à Assembleia de Deus.

Conclusão

A diversidade denominacional do cristianismo de hoje tem uma origem identificável: o Grande Cisma de 1054 separou Oriente e Ocidente, a Reforma Protestante do século 16 dividiu o Ocidente em múltiplas tradições, e o Avivamento da Rua Azusa, em 1906, deu origem ao pentecostalismo — cada uma dessas tradições continuando a se multiplicar nos séculos seguintes. O resultado é a paisagem denominacional ampla e variada que existe hoje.

Fontes

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