Os principais gêneros da música cristã são o canto litúrgico (como o gregoriano), o hino congregacional, o gospel de origem afro-americana, a música cristã contemporânea (CCM), o rock e o rap cristãos, o worship e a música católica carismática. O que os une é o conteúdo e o propósito da letra, não o ritmo: há música cristã em quase todos os estilos que existem.

A confusão mais comum está entre três rótulos, gospel, CCM e worship, que no Brasil costumam ser usados como sinônimos. A tabela abaixo ajuda a separar, e cada gênero é detalhado em seguida.

Tabela comparativa

GêneroOnde nasceuQuandoMarcoFeito para
Canto gregorianoEuropa ocidental, Igreja de RomaSéculos 9 e 10Liturgia romana em latimA missa e o ofício
Hino congregacionalIgrejas da ReformaSéculo 16 em diante"Castelo forte", de Lutero (1527-1529)Canto de toda a assembleia
GospelIgrejas negras dos EUAAnos 1930Thomas Dorsey, Mahalia JacksonCulto e concerto
CCMMercado cristão dos EUAAnos 1970 e 1980Age to Age, de Amy Grant (1982)Rádio e consumo doméstico
Rock cristãoEUA (movimento Jesus)1969Upon This Rock, de Larry NormanShows e discos
Rap cristãoEUAAnos 1980Bible Break, de Stephen Wiley (1985)Shows e discos
WorshipIgrejas locais (Austrália, EUA, Brasil)Anos 1990"Shout to the Lord" (1993)Canto congregacional
Música católica carismáticaRenovação Carismática CatólicaAnos 1990 no BrasilPadre Marcelo Rossi (1998)Missas, grupos de oração e eventos

Canto gregoriano e música litúrgica

É o canto monofônico, sem acompanhamento, em latim, da liturgia romana. A tradição liga o nome ao papa Gregório I (590-604), mas os historiadores consideram que o repertório se formou principalmente nos séculos 9 e 10, numa síntese feita no período carolíngio. O Concílio Vaticano II, na Sacrosanctum Concilium (1963), ainda lhe reconhece "o primeiro lugar" na liturgia romana.

Nas igrejas ortodoxas, a música litúrgica segue outra linha, a do canto bizantino e dos corais eslavos, tradicionalmente sem instrumentos. As diferenças entre as tradições estão em louvor e adoração na Bíblia e nas igrejas.

Hino congregacional

A Reforma Protestante colocou a congregação inteira para cantar na própria língua. Lutero escreveu e musicou hinos; Calvino preferiu os salmos metrificados do Saltério de Genebra (1539, completo em 1562). No século 18, o inglês Isaac Watts (1674-1748) popularizou hinos de texto livre, como "When I Survey the Wondrous Cross" e "Joy to the World", e ficou conhecido como o "padrinho" da hinódia inglesa.

No século 19, a americana Fanny Crosby (1820-1915), cega desde os primeiros meses de vida, escreveu mais de 8.000 hinos e canções, como "Blessed Assurance", e foi peça central nas campanhas de avivamento de Moody e Sankey. Muitos desses hinos chegaram ao Brasil traduzidos nos hinários Salmos e Hinos (1861), Cantor Cristão (1891) e Harpa Cristã (1922).

Gospel

O gospel nasceu nas igrejas negras dos Estados Unidos, herdeiro dos spirituals cantados por escravizados e misturado ao blues. Thomas A. Dorsey é chamado de "pai da música gospel" e cofundou em 1932 uma convenção nacional de corais gospel. Mahalia Jackson levou o gênero a plateias de todo o mundo a partir de 1947.

No Brasil, "gospel" virou um termo amplo para quase toda música evangélica popular, do pop ao sertanejo. No Grammy, ao contrário, gospel ainda é uma categoria separada da música cristã contemporânea.

CCM (Contemporary Christian Music)

É o rótulo do mercado americano para música cristã feita nos moldes do pop e do rock, pensada para rádio e discos, e não necessariamente para o culto. Amy Grant é o nome-símbolo: Age to Age (1982) foi o primeiro disco cristão de artista solo a ganhar ouro. O gênero tem premiação própria, o Dove Award, criado em 1969 pela Gospel Music Association.

Rock cristão

Nasceu no fim dos anos 1960, no chamado movimento Jesus, que reuniu jovens da contracultura americana convertidos ao cristianismo. Upon This Rock (1969), de Larry Norman, é considerado o primeiro álbum completo do gênero. No Brasil, o Rebanhão, formado em 1979 no Rio de Janeiro, foi a primeira banda de sucesso a trazer o rock e o pop para o meio evangélico, com o disco Mais Doce que o Mel (1981).

Rap e hip-hop cristão

A primeira faixa gravada é de 1982, e o primeiro álbum completo, Bible Break, de Stephen Wiley, saiu em 1985. O nome de maior alcance é o americano Lecrae: Gravity (2012) chegou ao 3º lugar da Billboard 200 e ganhou o Grammy de Melhor Álbum Gospel, e Anomaly (2014) estreou em 1º lugar na mesma parada.

Worship

É a música feita para a congregação cantar junto: melodia fácil, refrões repetidos e letra dirigida a Deus. Ganhou forma nos anos 1990 com igrejas que gravavam o próprio repertório, como a Hillsong, de Sydney, com "Shout to the Lord" (1993), de Darlene Zschech.

No Brasil, o Diante do Trono, formado em 1997 na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, levou o worship em português a eventos de massa. Antes dele, o Vencedores por Cristo já tinha lançado, a partir de 1975, a série Louvor, que renovou o repertório das igrejas evangélicas. A estrutura de licenças que faz essas canções circularem entre países está em como funciona o mercado da música cristã.

Música católica carismática

Ligada à Renovação Carismática Católica, combina louvor espontâneo, coreografias e canções simples. No Brasil, teve como rosto o padre Marcelo Rossi, cujo primeiro disco, Músicas para Louvar o Senhor, saiu em 1998. A comunidade Canção Nova, fundada pelo padre Jonas Abib, também revelou cantores e bandas católicas.

Como identificar um gênero ao ouvir

  • Quem canta? Se a canção foi feita para a igreja inteira cantar, é hino ou worship. Se depende de um solista, tende a ser gospel, CCM ou rock.
  • Onde ela toca? No culto, é worship ou hino; no rádio e no fone de ouvido, CCM, rap ou rock.
  • De onde vem o som? Coral, palmas e improviso vocal apontam para o gospel; guitarra e bateria em crescendo, para o worship atual.

Os nomes que marcaram cada um desses estilos estão em artistas que definiram a música cristã, e a trajetória no país em história da música gospel no Brasil.

Fontes