Cultura cristã é o conjunto de obras de arte, literatura, música, cinema e televisão criadas a partir da fé cristã ou inspiradas na Bíblia. Ela vai das Confissões de Agostinho, escritas por volta do ano 400, à série The Chosen, lançada em 2019, passando pela Capela Sistina, pelas paixões de Bach e pelos profetas de Aleijadinho em Congonhas.

Em vez de uma lista solta de recomendações, este panorama organiza 20 obras numa linha do tempo, para mostrar como cada época contou a fé com as ferramentas que tinha. Cada formato tem um guia próprio no site, indicado ao longo do texto.

Linha do tempo em 20 obras

AnoObraFormatoAutor ou origem
397-400ConfissõesLivroAgostinho de Hipona
Séculos 9-10Canto gregorianoMúsica litúrgicaIgreja latina, Europa ocidental
c. 1418-1427A Imitação de CristoLivroTomás de Kempis
1508-1512Teto da Capela SistinaPinturaMichelangelo
1527-1529"Castelo forte"HinoMartinho Lutero
1577Castelo InteriorLivroTeresa d'Ávila
1655Sermão da SexagésimaSermãoPadre Antônio Vieira
1678O PeregrinoLivroJohn Bunyan
1727Paixão segundo São MateusMúsicaJohann Sebastian Bach
1741-1742O MessiasOratórioGeorg Friedrich Händel
1796 em dianteProfetas e Passos de CongonhasEsculturaAleijadinho
1880Ben-Hur: uma história do CristoRomanceLew Wallace
1950-1956As Crônicas de NárniaRomanceC. S. Lewis
1952Cristianismo Puro e SimplesLivroC. S. Lewis
1955Auto da CompadecidaTeatroAriano Suassuna
1959Ben-HurFilmeWilliam Wyler
1964O Evangelho Segundo São MateusFilmePier Paolo Pasolini
1979JesusFilmePeter Sykes e John Krish
2004A Paixão de CristoFilmeMel Gibson
2019The ChosenSérieDallas Jenkins

Livros: o formato mais antigo

As Confissões, 13 livros escritos em latim entre 397 e 400, são uma das primeiras autobiografias espirituais do Ocidente. A Imitação de Cristo talvez seja a obra devocional mais lida depois da Bíblia, e O Peregrino, de 1678, foi traduzido para mais de 200 línguas. No século 20, C. S. Lewis mostrou que a mesma fé podia render tanto um livro de argumentos, Cristianismo Puro e Simples, quanto uma série de fantasia, Nárnia, com cerca de 120 milhões de exemplares vendidos.

A seleção completa, com ficha de cada título e sugestão de ordem de leitura, está em livros cristãos essenciais.

Arte: a Bíblia em imagens

Durante séculos, pinturas, vitrais e esculturas ajudaram a contar as histórias bíblicas a quem não tinha acesso aos livros. O exemplo mais conhecido é o teto da Capela Sistina, pintado em afresco por Michelangelo entre 1508 e 1512, por encomenda do papa Júlio II. No centro estão nove cenas do livro de Gênesis, entre elas A Criação de Adão.

No Brasil, o grande nome é Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Em 1796 ele recebeu a encomenda dos Passos da Paixão e dos Profetas do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG), considerados sua obra-prima. Os doze profetas de pedra-sabão ficam no adro da igreja, e os passos, em madeira policromada, nas seis capelas; as peças foram feitas por ele e por sua oficina. O conjunto foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1985.

Música: do coro ao streaming

O canto gregoriano, que se formou sobretudo na Europa ocidental e central entre os séculos 9 e 10, é a base da música litúrgica latina. A Paixão segundo São Mateus (1727), de Bach, musica os capítulos 26 e 27 do Evangelho de Mateus na tradução de Lutero, para dois coros e duas orquestras. O Messias, de Händel, estreou em Dublin em 13 de abril de 1742 e se tornou uma das obras corais mais executadas do mundo. Hinos, gospel e worship completam essa história, contada em música cristã: guia completo.

Teatro e literatura brasileira

O Auto da Compadecida, escrito por Ariano Suassuna em 1955 e encenado pela primeira vez no Recife em 1956, retoma a forma do auto medieval com humor nordestino. No julgamento final, João Grilo e seus companheiros são defendidos pela Compadecida, Nossa Senhora, diante de Jesus. O crítico Sábato Magaldi o chamou, em 1962, de "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".

Os sermões do Padre Antônio Vieira, jesuíta nascido em Lisboa em 1608 e morto em Salvador em 1697, são outro marco: a pregação religiosa como uma das bases da prosa em língua portuguesa.

Cinema: do épico ao independente

O cinema contou a fé de formas muito diferentes. Ben-Hur (1959) ganhou 11 Oscars; O Evangelho Segundo São Mateus (1964), de Pasolini, foi chamado pelo jornal do Vaticano de o melhor filme sobre Cristo; Jesus (1979) é o filme mais traduzido da história; e A Paixão de Cristo (2004) é a maior bilheteria de um filme cristão, com US$ 622,3 milhões. A lista comentada está em filmes cristãos que marcaram época.

Séries: tempo para os personagens

A série permite o que o filme não consegue: dedicar episódios inteiros a personagens que aparecem em poucos versículos. The Chosen, iniciada em 2019 com financiamento coletivo, tem audiência estimada em cerca de 280 milhões de pessoas. No Brasil, o formato ganhou força com as novelas bíblicas da Record, como Os Dez Mandamentos (2015-2016), com 242 capítulos. O comparativo está em séries com temática cristã.

O que cada formato faz melhor

  • Livro: argumento e reflexão no ritmo do leitor.
  • Arte visual: síntese de uma cena ou de uma ideia teológica num só olhar.
  • Música: memória; um hino aprendido na infância acompanha a pessoa a vida inteira.
  • Filme: experiência intensa e concentrada, boa para despertar interesse.
  • Série: desenvolvimento de personagens e contexto histórico.

Para quem não sabe por onde começar, o roteiro por perfil está em guia de indicações de cultura cristã.

Fontes