Principais traduções da Bíblia em português e suas diferenças

Um guia comparativo das principais traduções da Bíblia em português - ARA, NVI, NAA, NTLH e outras - e como escolher a mais adequada para cada tipo de leitura.

EC

Por Equipe Church News

6 min de leitura

Livro antigo com páginas douradas
Foto: Anonimski / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Quem entra em uma livraria cristã ou abre um aplicativo de Bíblia encontra várias siglas: ARA, ARC, NVI, NAA, NTLH. Todas são traduções da mesma Bíblia para o português — mas com escolhas diferentes sobre como traduzir, e boa parte delas remonta a um único tradutor do século 17.

Este guia explica quem foi esse tradutor, por que existem tantas versões hoje, a diferença entre os dois principais estilos de tradução e um resumo das versões mais usadas no Brasil.

João Ferreira de Almeida, o primeiro tradutor

A tradição de tradução bíblica mais influente em português começa com uma única pessoa: João Ferreira de Almeida, nascido por volta de 1628 em Torre de Tavares, Portugal, e falecido em 1691 na cidade de Batávia — atual Jacarta, capital da Indonésia, então colônia holandesa.

Almeida se converteu à fé evangélica ainda jovem, aos 14 anos, e começou a traduzir trechos da Bíblia para o português já aos 16, trabalhando inicialmente com alguns Evangelhos e cartas do Novo Testamento. A partir de 1663, já como pastor da congregação de língua portuguesa em Batávia, retomou e aprofundou esse trabalho de tradução, direto das línguas originais. Em 1676, comunicou ao presbitério local que o Novo Testamento estava pronto.

Almeida morreu antes de ver o trabalho completo: seus colaboradores continuaram a tradução do Antigo Testamento depois de sua morte, e a Bíblia completa só ficou pronta em 1694, com a primeira impressão integral saindo apenas em 1751, já em dois volumes. Desde então, pelo menos 2 mil edições diferentes derivadas do texto de Almeida já foram publicadas — o que faz dele, segundo alguns levantamentos, o autor de língua portuguesa mais reeditado da história. É esse mesmo texto-base, revisado e atualizado ao longo dos séculos seguintes, que sustenta traduções usadas até hoje, como a ARA, a ARC e a NAA.

Por que existem tantas traduções

Os textos originais da Bíblia foram escritos em hebraico e aramaico (Antigo Testamento) e grego (Novo Testamento). Toda edição em português é, necessariamente, uma tradução — e traduzir sempre envolve escolhas, porque nem toda palavra ou expressão tem um equivalente direto.

Além disso, o português muda com o tempo. Traduções mais antigas usam vocabulário que soa arcaico hoje, o que motiva revisões e novas traduções pensadas para leitores contemporâneos — o próprio texto de Almeida, escrito no século 17, já passou por diversas revisões justamente por esse motivo.

Dois estilos principais de tradução

De forma simplificada, as traduções bíblicas tendem a um de dois polos:

  • Tradução literal (equivalência formal): procura manter a estrutura e as palavras do texto original o mais próximo possível, mesmo que o resultado soe menos natural em português. Facilita a comparação palavra por palavra, mas pode ser mais difícil de ler.
  • Tradução de linguagem atual (equivalência dinâmica ou funcional): prioriza transmitir o sentido do texto original em português natural e fluido, mesmo reorganizando a frase. Facilita a leitura, mas exige mais confiança na interpretação de quem traduziu.

Nenhum dos dois estilos é "errado" — servem a propósitos diferentes, e muitos leitores usam mais de uma tradução em paralelo.

Principais traduções em português

Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, com edição de 1959 e revisão em 1993. Segue o texto de João Ferreira de Almeida, adaptado e atualizado. É uma das traduções mais usadas por igrejas protestantes no Brasil, com estilo relativamente formal.

Almeida Revista e Corrigida (ARC)

Outra revisão da tradição de João Ferreira de Almeida, historicamente associada a igrejas batistas e pentecostais no Brasil. Segue uma linha mais literal, próxima ao texto-base tradicionalmente usado pelas revisões de Almeida.

Nova Versão Internacional (NVI)

Publicada em 2001 pela Editora Vida em parceria com a Sociedade Bíblica Internacional. Diferente das versões acima, não é uma revisão do texto de Almeida, mas uma tradução nova, feita diretamente das línguas originais por uma equipe própria. Busca equilíbrio entre fidelidade ao texto original e leitura fluida em português contemporâneo, e é amplamente usada em igrejas evangélicas.

Nova Almeida Atualizada (NAA)

Publicada em 2017 pela Sociedade Bíblica do Brasil, como uma nova revisão da tradição de Almeida — a organização a descreve como a 3ª edição da Revista e Atualizada. Atualiza o vocabulário mantendo a base textual da ARA.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)

Publicada em 2000 pela Sociedade Bíblica do Brasil, é uma tradução de linguagem bem acessível, pensada para leitura fácil, inclusive por quem não tem familiaridade prévia com vocabulário religioso tradicional.

Traduções católicas

A Bíblia de Jerusalém e a Bíblia Ave-Maria são duas das traduções católicas mais usadas em português, ambas incluindo os livros deuterocanônicos que não aparecem nas edições protestantes. A Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB) é um projeto conjunto entre estudiosos católicos e protestantes.

Qual tradução escolher

Depende do objetivo. Para um primeiro contato ou leitura devocional diária, uma tradução de linguagem mais atual (NVI, NAA ou NTLH) tende a facilitar. Para estudo mais aprofundado, comparar uma tradução literal (ARA ou ARC) com uma de linguagem atual ajuda a perceber nuances que uma única versão pode não deixar claras. Ver como estudar a Bíblia para um método completo de leitura.

Perguntas frequentes

Qual é a tradução da Bíblia mais usada no Brasil?

Não há um único levantamento definitivo, mas a Almeida Revista e Atualizada (ARA) e a Nova Versão Internacional (NVI) estão entre as mais usadas por igrejas evangélicas brasileiras, junto com a mais recente Nova Almeida Atualizada (NAA).

Quem foi João Ferreira de Almeida?

O primeiro tradutor da Bíblia completa para o português, nascido em Portugal por volta de 1628 e falecido em 1691 em Batávia (atual Jacarta). Seu texto-base, revisado ao longo dos séculos, ainda sustenta traduções amplamente usadas hoje, como a ARA e a ARC.

Uma tradução pode estar "errada"?

Traduções sérias, feitas por equipes de especialistas em hebraico, aramaico e grego, refletem escolhas editoriais diferentes, não erros. Desconfie de qualquer "tradução" sem uma editora ou sociedade bíblica reconhecida por trás.

Posso usar mais de uma tradução ao mesmo tempo?

Sim, e isso é recomendado para estudo mais aprofundado — comparar traduções ajuda a perceber onde o texto original permite mais de uma leitura possível.

Conclusão

As diferentes traduções da Bíblia em português não competem entre si — atendem a objetivos de leitura diferentes, do estudo palavra por palavra à leitura devocional em linguagem simples. Boa parte delas remonta ao trabalho pioneiro de João Ferreira de Almeida no século 17, revisado e atualizado por gerações seguintes. Conhecer a origem e o estilo de cada uma ajuda a escolher a ferramenta certa para cada momento.

Fontes

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